sábado, 14 de fevereiro de 2009

Viver sem lar




Vagueias pela noite escura
Espreitas em cada janela
Sentes o sabor da amargura
De ver pintura tão bela

Na tua caminhada sozinho
Pelo caminho esbranquiçado
Não existe pincel do ninho
Onde aquecer o coração gelado

Tinta amarela escorre
Marcando o teu caminho
Nada mais faças, corre
Em busca de algum carinho

A paleta cai ao chão
Borrando o teu mundo
Todas as cores num turbilhão
Negro como chumbo

Surge então a água
A mão que dissolve as cores
Que te tira da tela vazia
E da estrada dos temores

Passas então para o quadro
Que sempre viste de fora
Um lugar sagrado
No fim de cada hora

Vives agora na maravilhosa pintura
Que tua alma criou
A simples mistura
Que teu pincel pintou



12-01-2009

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