sábado, 14 de fevereiro de 2009

Viver sem lar




Vagueias pela noite escura
Espreitas em cada janela
Sentes o sabor da amargura
De ver pintura tão bela

Na tua caminhada sozinho
Pelo caminho esbranquiçado
Não existe pincel do ninho
Onde aquecer o coração gelado

Tinta amarela escorre
Marcando o teu caminho
Nada mais faças, corre
Em busca de algum carinho

A paleta cai ao chão
Borrando o teu mundo
Todas as cores num turbilhão
Negro como chumbo

Surge então a água
A mão que dissolve as cores
Que te tira da tela vazia
E da estrada dos temores

Passas então para o quadro
Que sempre viste de fora
Um lugar sagrado
No fim de cada hora

Vives agora na maravilhosa pintura
Que tua alma criou
A simples mistura
Que teu pincel pintou



12-01-2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A cor do olhar


Para mim o olhar é reflexo
Da alma de cada ser
Algo um pouco complexo
Que gosto de compreender

Pensei então em ligar
As cores de cada olhar
Numa linha invulgar
Estranhamente familiar

O verde da esperança
Da brilhante pastagem
Os olhos da perseverança
Da humidade e coragem

O azul do mar
Reflexo da felicidade
Da inteligência e sonhar
Da pureza e amizade

O castanho do essencial
Da terra no seu esplendor
Do amigo leal
Brincalhão e trabalhador

O preto do universo
Da profundidade vasta
Do amigo travesso
O esperto e entusiasta

O vermelho do amor
Do sangue sempre corrente
Do paciente e acolhedor
Do contente e valente

O dourado da Natureza
Cor da extensa areia
Da compreensão e beleza
De toda a alma alheia

O prateado do luar
E qualquer ponto brilhante
Daquele que sabe imaginar
O alegre e sempre cantante


O laranja do quente
Do ardente prado
Do amigo consciente
Verdadeiro e preocupado

O amarelo da luz
De cada raio solar
Do que ajuda e conduz
Do que cria e sabe amar

Cada qual com seu olhar
Colorido e fascinante
Como história para contar
Do eterno viajante.

15-01-2009


domingo, 1 de fevereiro de 2009


Vento do Prado



Caminhava nas ervas douradas

Numa tarde soalheira

Sentia o vento na brincadeira

Naquelas ervas encantadas


Abanava-se muito levemente

Aquele prado musical

Numa harmonia quente

Suave como cristal


Meu espírito se aconchegava

No cheiro refrescante e saboroso

Que alegremente emanava

Do mar topázio esplendoroso


Caminhava embrenhadamente

Sem rumo naquele paraíso

Longe do corpo, apenas mente

Como pássaro voando livremente


O simples pássaro virou águia

Naquele lugar de mudança

Onde o pequeno se erguia

Como senhor dos céus da esperança


Ao longe se ouvia música,

Cristal e pureza de diamante

Uma melodia abundante e única

De um espanta-espíritos cantante


Chegava a hora do crepúsculo

A hora do prado em chama.

O mais grandioso espectáculo

Que o vento do prado inflama.


06-01-2009

sexta-feira, 24 de outubro de 2008



Estrela Cintilante


Sempre que me sinto sozinha
Olho o alto esperançada
Vejo lá uma pequena luzinha
Vinda do meio do nada

Ela é o meu espelho,
A minha vontade de viver
É um amigo que olho
Sempre que me disponho render

Ela vive no meu ser
Na minha alma em chama
Na minha semente a crescer
E no vento que a inflama

Nada me fará esquecer
Como é importante para mim
Aquela pequena luz da manhã
Que permanece até ao fim

Ela é mais precisa
Que o mais puro diamante
Que a erva da manhã preguiçosa
E que o mais apaixonado amante

Brilha mais que tudo
Na minha vida cintilante
É a maior amiga, contudo
Encontra-se muito distante

23-10-2008
(para ti Claúdia para que
nunca te sintas sozinha)


segunda-feira, 20 de outubro de 2008



Sonho

Cansado, meu espírito adormece
Entra num mundo enfeitiçado
Onde a alma merece
Ver o magnifico sol raiado

Vislumbro a longínqua fronteira
Entre a terra e o mar
Uma pequena terra inteira

Em nome do livre sonhar


Na mais alta torre do Castelo

Aguardo em frenesim o momento
Em que surge sentado no selim
O cavaleiro do passar do tempo


Nas águas do calmo mar
Viajo com o curtido aventureiro

Que passou o tempo a empilhar

Memórias do sonho de um paradeiro


Na caverna da invernosa solidão
Descubro o explorador do tesouro
No seu amordaçado coração
Segue o desejo do puro ouro

Acordo como estátua que ganha vida

No jardim verdejante e delicado
Que relembra apenas a silhueta de ida

Do sorridente visitante passado

13-10-2008

terça-feira, 5 de agosto de 2008


Ao redor da Fogueira


Colheu o humilde lenhador
A fonte da quente chama
Pequenos galhos de calor
Que bendito vento inflama

Juntamo-nos ao redor da fogueira
Na alegria de uma presença
Ligam-se as vidas correia
Que frio e vazio compensa

Trocam-se ideias de da vida
O sentir, o existir, o desaparecer
Tudo vem com esta pequena dádiva
Que ninguém irá esquecer

De repente se ouve apenas um som
Algo nos calou da tamanha alegria
O som das fagulhas na fogueira, um dom
Que sobrevoou a alta euforia

A partir daí tudo mudou
Ninguém mais viu a solidão
Com o laço que se criou
Nada mais abandonou o coração

26/07/2008

segunda-feira, 21 de julho de 2008


Sorriso

O sorriso abre as portas
Do mais tímido coração
As tristezas ficam mortas
E desperta a paixão

O sorriso é o cristal
Precioso e puro
Que afasta todo o mal
E derruba qualquer muro

O sorriso é a linha recta
que separa o mundo:
O paraíso que Deus completa
Do banal da vida no profundo

Nada é como o sorriso
No rosto calmo e sereno
O iluminar precioso
Que reveste o corpo em pleno

Um simples movimento
Levanta a âncora do receio
Alimenta o corpo em crescimento
E fomenta tudo o que planeio

O brilho intenso
Do tão pequeno gesto
Move a raiz do imenso
Que com ardor testo
16/07/2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008


As Árvores

Árvores há tantas
Altas...
Baixas...
Moldam resistentes caixas!

Árvores há tantas
Grossas...
Finas...
Povoam colinas!

Árvores há tantas
Rectas...
Curvadas...
Abrem novas estradas!

Árvores há tantas
Nuas...
Vestidas...
Alimentam muitas vidas!

Árvores há tantas
Quentes...
Frias...
Guiam as pequenas rias!

Árvores há tantas
Macieiras...
Pereiras...
Traçam fronteiras!

Árvores há tantas
Mas não as suficientes...

30/06/2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008


Tempo para Tudo


Há tempo para nascer
Tempo para viver
E tempo para morrer
Há tempo para plantar
Tempo para regar
E tempo para ceifar
Há tempo para amar
Tempo para adorar
E tempo para odiar
Há tempo para recolher
Tempo para vender
E tempo para perder
Há tempo para avançar
Tempo para parar
E tempo para recuar
Há tempo para escutar
Tempo para pensar
E tempo para falar
Há tempo para construir
Tempo para preservar
E tempo para destruir
Há tempo para matar
E tempo para curar
Há tempo para chorar
E tempo para dançar
Há tempo para reflectir
E tempo para sentir

25/06/2008

Quatro Elementos

Assim como os glaciares
São um mundo doce
Nos imensos salgados mares

Tu és o fogo da alma
De alguém que escuto
Na natureza calma

O ar da vida agreste
No poço da solidão
Que teu carinho veste

A água dos espelhos
Que com alento vejo
No brilho dos teus olhos

A nutritiva terra
Onde cresce minha semente
Sem culpa de quem erra

A Natureza da vida
Onde a alegria
Não vive escondida

(Para a minha avó)
1/06/2008


Amigo

Cabelos ao vento
Olhos sobre o mar
Um novo alento
Que me faz brilhar

És luz carinhosa
Uma mão envolvente
O soprar de uma vela acesa
A paixão de chama ardente

Senti teu olhar sereno
Algo que me fez voltar
Vi o teu sorriso eterno
Em mim retomar



(Dedicado à minha mãe)
13/06/2008



Música

Uma explosão poderosa
Com um tom diferente do natural
Numa velocidade vagarosa
No canto solto instrumental

Uma leve e ténua gota
Da mais harmoniosa chuva
O alento da gente rôta
A luz na poça turva

A distância do sol à lua
Na intensa vibração
Desfila orgulhosa e nua
Em direcção ao coração

Na pequeez da estrela
Que brilha na enormidade do céu
A tonalidade mais bela
Que tesse esplendoroso véu

02/06/2008

Renascer do Pincel


Sinto meu coração pesar
De raiva, medo e temor
Perdi a capacidade de amar
E de ver o mundo com cor

Apenas vejo vermelho
Cor de sangue e rancor
Com o desistir me ajoelho
A rasgar de tela e pintor

Não há quem pinte como tu
No esgar de harmonia
Na passagem para o infinito
Na pincela de alegria

A cor surge no seio do desenho
Da tinta que roubaste ao céu
Na tua pintura me entranho
No leve e escuro véu

Sinto-me renascer na cor
A alma de tão extenso devaneio
Sinto escapar de mim o rancor
Crescer em mim novo leito

Solto derradeiro grito de morte
Pronta a renascer
Da paleta pincel e arte
Do espírito que me faz viver

Se me perguntarem quem sou
Não sou mais que o reflexo na água
A paixão da história e esboço
Nascida de uma pintura sagrada



(Dedicado ao meu pai)
16/05/2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008


Proezas


Há quem tenha viajado
Pelo esplendor azul marinho
Há quem tenha pairado
Nos breves ventos de carinho
Há quem tenha desafiado
A dureza do firme caminho
Há quem tenha orado
O regresso ao adorado ninho
Há quem tenha acompanhado
O nascer, crescer do menino
Há quem tenha apreciado
O chilrear do passarinho
Há quem tenha acariciado
A caducidade do moinho
Há ainda quem me tenha ajudado
A percorrer o meu caminho
13/05/2008

Uma Viagem, Um Mundo


Meu coração deseja seguir viagem
Para um mundo que não o meu
Tudo o que me falta é coragem
Para dizer um último adeus

Sonho o dia em que deixarei
Tudo o que pertence a esta terra
Soltarei as asas, voarei!
Escuando a lama de quem erra


Chegarei a um novo mundo
Onde não há eternamente
Não existe tempo nem segundo
Porque tudo acontece de repente

No novo mundo tudo é esquecido
Não há temor, dor ou dúvida
Onde quer por vontade ou descuido
Tudo o que se cria é uma vida.
11/05/2008


Irmã
Um desejo me foi consedido
Quando te vi pela primeira vez
Meu mundo foi absolvido
Pela tua pequenez
Confesso que quando te vi
No teu pequeno ser
Relembrei tudo o que vivi
Sentio ciúme transparecer
Peço desculpa por esse tempo
Pois és meu sangue e eu o teu
E quando teu belo sorriso contemplo
Renasço do escuro e do breu
Nada é, foi ou será
Tudo o que és para mim
Uma pequena pedra dourada
Apanhada no mais perfumado jardim


10/05/2008
Uma Única Palavra

Pensei fazer rimar
A breve história contada
De como é sentir, pensar e amar
Sobre tudo ou sobre nada...
Mas de repente me ocorreu
Algo que me agradava
Meu mundo varreu
Uma única palavra:


Mãe


16/12/2007


Um Começo

Hoje surge um novo Blog, onde se podem encontrar muitos poemas, sobre quase tudo, onde quem goste ou não de poesia pode deixar o seu comentário. Espero que estes poemas façam as pessoas pensar no mundo que as rodeia.

Maria Mendes